Todos os Carismas são um dom do Espírito de Deus à Igreja e ao mundo. Um Carisma é uma interpretação do Evangelho de Jesus, uma maneira de o acolher e pôr em prática num determinado contexto. Por isso é que os Carismas devem estar em contínua renovação, na medida em que o Evangelho permanece sempre o mesmo mas os contextos não param de mudar.

A Espiritualidade é o dinamismo que mantém vivo o Carisma. Sem a Espiritualidade, isto é, sem a obediência ao Espírito de Jesus, todos os carismas acabam por tornar-se coisas rígidas e pesadas, e desaparecem abafados sob estruturas desactualizadas e legalismos ineficazes.

O Carisma é a identidade, e a Espiritualidade é a vitalidade.

A Congregação do Santíssimo Redentor tem o seu Carisma e Espiritualidade especialmente intuídos num conjunto de critérios e regas de vida aos quais chamamos “Constituições”. De facto, ali podemos perceber, seja qual for a nossa cultura ou lugar de missão, as pistas e os estilos que nos constituem enquanto Missionários Redentoristas.

 

Partilhamos a seguir as primeiras 20 Constituições dos Missionários Redentoristas:

 

 

A MISSÃODA CONGREGAÇÃO DO SANTÍSSIMO REDENTOR (CSSR)

 

1. A Congregação do Santíssimo Redentor, fundada por Santo Afonso, é um instituto missionário cuja finalidade é: “continuar o exemplo de Jesus Cristo Salvador, apregoando aos pobres a Palavra de Deus, como disse Ele de si mesmo: Enviou-me para evangelizar os pobres”. Dessa maneira, a Congregação participa do mandato da Igreja que, por ter a vocação de ser um Sinal da Salvação para todos os povos, é, pela sua própria essência, missionária. A Congregação realiza este Mandato Evangelizador estando atenta, com dinamismo missionário, às urgências pastorais e esforçando-se por levar a Boa Notícia às pessoas mais abandonadas pela evangelização comum, e, entre elas, principalmente aos mais pobres. A Congregação continua o exemplo de Cristo através de uma Vida Apostólica: esta maneira de viver implica, a um só tempo, a vida especialmente dedicada a Deus e o trabalho missionário dos Redentoristas.

 

2. Para cumprir essa missão na Igreja, a Congregação reúne membros que, vivendo em comum, constituem um só Corpo Missionário e, em comunhão com todos os membros da Família Redentorista, dedicam-se organicamente ao estilo da Vida Apostólica, de acordo com os carismas e ministérios próprios de cada um. Levados pelo Espírito Apostólico, imbuídos do zelo evangelizador do Fundador, fiéis à Tradição cultivada pelos predecessores e atentos aos Sinais dos Tempos, todos os Redentoristas, como colaboradores, companheiros e servidores de Jesus Cristo na grande tarefa da Redenção, são enviados para anunciar aos pobres a Palavra da Salvação, constituindo uma Comunidade Apostólica consagrada e dedicada de modo especial ao Senhor, com uma Formação humana, espiritual e teológica sólida, e alicerçada em estruturas convenientemente organizadas e eficazes.

 

A TAREFA DA EVANGELIZAÇÃO 

3. As pessoas mais abandonadas, às quais, de modo especial, é enviada a Congregação, são aquelas às quais a Igreja, na sua Pastoral comum, não serviu ainda a Boa Notícia ou a celebração comunitária dos Sacramentos de maneira capaz. São também os que nunca ouviram o anúncio do Evangelho ou, pelo menos, nunca o receberam ou deixaram de o receber como “Boa Notícia”! E, finalmente, os que são prejudicados pelas divisões no seio da Igreja. Ao mesmo tempo a Congregação tem também cuidado apostólico para com os cristãos que já são atendidos pela pastoral comum, a fim de que, fortalecidos pela Fé, estejam num processo de conversão contínua a Deus e sejam testemunhas da Fé na vida quotidiana.

 

4. Entre os grupos humanos mais necessitados de auxílio espiritual, escolherão de maneira preferencial e com cuidado especial os pobres, os mais fracos e oprimidos, cuja evangelização é, em si mesma, um sinal da tarefa messiânica (Lc 4,18) e com os quais o próprio Jesus Cristo quis, de certa maneira, identificar-se (Mt 25,40). 

 

5. A preferência pelas condições de necessidade pastoral ou pela evangelização propriamente dita e a opção em favor dos pobres constituem a própria razão de ser da Congregação na Igreja e o distintivo da sua fidelidade à vocação recebida. O mandato conferido à Congregação de evangelizar os pobres tem como horizonte a libertação e a salvação da Pessoa Humana Toda. Os membros da Congregação têm como incumbência o anúncio explícito do Evangelho e a solidariedade com os pobres, a promoção dos seus direitos fundamentais na justiça e na liberdade, com o emprego dos meios que sejam, ao mesmo tempo, conformes ao Evangelho e eficazes.

 

6. Todos os Redentoristas vivem como uma obrigação interior, em comunhão com toda a missão da Igreja, a vocação a serem, entre todas as pessoas, servidores humildes e audazes do Evangelho de Cristo, Redentor e Senhor, princípio e modelo da Nova Humanidade. Esse anúncio centra-se especialmente na Boa Notícia da Abundante Redenção, isto é, o Amor de Deus Pai “que nos amou primeiro, e nos enviou seu Filho, mais forte do que os nossos pecados” (1Jo 4,10). É ele que, pelo Espírito Santo, vivifica todos os que confiam nele.

Essa Redenção atinge o Ser Humano Todo, aperfeiçoa e transfigura todos os valores humanos, para que todas as coisas sejam recapituladas em Cristo (Ef 1,10; 1Cor 3,23) e conduzidas ao seu Fim máximo: uma Nova Terra e um Novo Céu (Ap 21,1).

 

7. Testemunhas do Evangelho da Graça de Deus (At 20,24), os Redentoristas proclamam, antes de tudo, a sublime vocação do Ser Humano. Sabem que todas as pessoas são pecadoras, mas sabem igualmente que essas mesmas pessoas já foram de um modo mais profundo escolhidas, salvas e reunidas em Cristo (Rm 8,29ss). Por isso, hão-de empenhar-se com todo o vigor em ir ao encontro do Senhor onde Ele já está presente e activo com o seu modo misterioso.

 

8. Procurarão assiduamente discernir, conforme as circunstâncias, o que fazer ou o que dizer: se proclamar Cristo explicitamente ou, pelo menos, com o testemunho tácito da presença fraterna.

 

9. Se as circunstâncias forem tais que alguma vez não haja possibilidade de propor direta e imediatamente o Evangelho ou de anunciá-lo de modo pleno, devem os Missionários, com paciência, sensibilidade e grande confiança, dar testemunho do Amor de Cristo e, na medida do possível, fazer-se próximos de cada pessoa. Essa manifestação de Amor ao jeito de Jesus Cristo faz-se pela oração, pelo serviço prestado aos outros com sinceridade e pelo testemunho de vida, qualquer que seja a sua modalidade. Essa maneira de evangelizar prepara progressivamente os caminhos do Senhor e preenche a Vocação Missionária dos Redentoristas.

 

10. O testemunho da Vida e do Amor em Cristo é que conduz ao testemunho da palavra (Rm 10,17), conforme a possibilidade concreta e a capacidade pessoal. Os Redentoristas têm na Igreja, como sua principal missão, a proclamação explícita da palavra de Deus para a conversão fundamental. Quando chegar a hora e o Senhor lhes abrir a porta da palavra (Cl 4,3), os Redentoristas, sempre prontos a dar Testemunho da Esperança que neles existe (1Pd 3,15), completando o testemunho tácito da presença fraterna com o testemunho da Palavra, anunciam confiantes e constantes o Mistério de Cristo (Act 4,13.29.31).

Para que possam colaborar sempre mais plenamente na realização do Mistério da Redenção de Cristo, confiar-se-ão incansavelmente ao Espírito Santo, que é Senhor dos Acontecimentos e é quem dá a palavra adequada e abre os corações.

 

11. Tendo recebido por graça o Ministério da Reconciliação (2Cor 5,18) os Redentoristas transmitem às pessoas o Anúncio da Salvação e o “Tempo da Oportunidade” (2Cor 6,2), para que se convertam e acreditem no Evangelho (Mc 1,15), vivam verdadeiramente o Baptismo e se revistam da Nova Criação (Ef 4,24). Dessa forma os Redentoristas são “Apóstolos da Conversão”, pois a sua pregação tem como Finalidade Principal levar as pessoas à opção radical ou à decisão de vida por Cristo e conduzi-los com vigor e, ao mesmo tempo, com suavidade à conversão plena e contínua.

 

12. A conversão pessoal, porém, realiza-se na Comunidade Eclesial. Por isso a Finalidade de toda a tarefa missionária é suscitar e formar comunidades tais que levem vida digna da vocação a que foram chamadas, e realizem a missão que a todos é dada no Baptismo. Os missionários conduzem os convertidos a participar plenamente da Redenção que se exerce no Ritmo Celebrativo da Comunidade, principalmente na Reconciliação, em que se anuncia o Evangelho da Misericórdia de Deus, e na Eucaristia, pela qual se edifica o Corpo de Cristo. Dessa maneira a própria Comunidade Cristã se torna sinal da presença de Deus no mundo. Alimentada pela Palavra de Deus dá testemunho de Cristo, passa sem cessar com Cristo para o Pai pelo mistério eucarístico, caminha no seu Amor e arde em espírito apostólico.

 

 

O MODO DE REALIZAR A TAREFA DA EVANGELIZAÇÃO

 

13. No desempenho de sua missão, a Congregação procura agir com iniciativas audazes e com grande zelo. Chamada a cumprir fielmente, através dos tempos, a tarefa missionária, que lhe foi confiada por Deus, evolui sempre nas formas de exercê-la.

 

14. Essa Tarefa Apostólica da Congregação caracteriza-se mais pelo dinamismo missionário, isto é, pela evangelização propriamente dita e pelo serviço às pessoas e aos grupos mais abandonados e pobres, em relação à Igreja e às condições humanas, do que por certas formas fixas de actividade.

 

15. A missão da Congregação exige, por isso, que os Redentoristas sejam livres e disponíveis, quer em relação aos grupos a serem evangelizados, quer em relação aos meios que servem para a missão ao serviço da salvação. Então, torna-se sua obrigação procurar sempre novas iniciativas apostólicas, como membros missionários da Igreja, não podendo instalar-se em condições ou estruturas nas quais a sua actuação já não seria missionária. Como pioneiros, descubram com perspicácia novos caminhos, através dos quais o Evangelho seja pregado a toda criatura (Mc 16,15).

 

16. Por isso é tida em grande estima a multiforme actividade, através da qual se expressou no decorrer do tempo o trabalho missionário dos Redentoristas de acordo com as necessidades das diversas regiões. Em cada tempo e lugar deve ser assumida na Congregação qualquer iniciativa, nova ou antiga, que esteja de acordo com o Amor Apostólico que a inspira.

 

17. Julgar se determinadas prioridades já assumidas ou a serem assumidas pelos Redentoristas num determinado lugar, estão ou não de acordo com a índole missionária da Congregação, compete a todos os que se dedicam à causa da Evangelização segundo o Carisma Redentorista. É óbvio, portanto, que todos os Redentoristas, devem reunir-se para avaliar periodicamente se os meios empregados para a evangelização no respectivo território correspondem às necessidades da Igreja e do mundo; se, e como, devem renovar-se os métodos apostólicos, de modo que sejam mantidos os meios válidos, corrigidos os que apresentem falhas e abandonados os inadequados.

 

18. Em virtude do Amor Apostólico, que lhes é específico, procurem as comunidades e todos os Redentoristas harmonizar as próprias iniciativas com as iniciativas da Igreja universal e da Igreja particular para o bem das pessoas. Porque a missão da Congregação na Igreja, sendo serviço de Cristo, deve ser inseparavelmente serviço em Igreja. Por isso, para instaurar e promover a Fraternidade Apostólica, os Redentoristas tenham sempre em vista, ao mesmo tempo, a pastoral orgânica que é necessária em cada território e o Carisma da Congregação.

 

19. Para desenvolverem uma Tarefa Missionária eficaz, além de cooperar com todos na Igreja, devem ter adequado conhecimento e experiência do mundo. Praticam, pois, no mundo, o Diálogo Missionário com toda a confiança. Interpretem fraternalmente as angústias das pessoas, para discernir nelas os verdadeiros sinais da Presença e do Projecto de Deus. Realmente, eles sabem que o mistério do Ser Humano e a verdade da sua Vocação Integral somente se desvendam verdadeiramente no Mistério do Verbo Incarnado. Desse modo tornam presente o Evangelho da Redenção na sua totalidade, ao darem testemunho de que aquele que segue a Cristo, Homem perfeito, torna-se ele mesmo mais Homem.

 

O MISSIONÁRIO REDENTORISTA

 

20. Fortes na Fé, alegres na Esperança, fervorosos no Amor, inflamados no zelo, humildes e sempre dados à oração, os Redentoristas, como homens apostólicos e genuínos discípulos de Santo Afonso, seguindo contentes a Cristo Salvador, participam do seu Mistério e anunciam-no com evangélica simplicidade de vida e de linguagem, pela abnegação de si mesmos e pela disponibilidade constante para as coisas mais difíceis, a fim de levar a todos a Abundante Redenção.