Chama-se Scala a aldeia pequenina do antigo Reino de Nápoles onde os Redentoristas começaram. Fica na Costa de Amalfi, agora muito conhecida como destino turístico. Afonso de Ligório que, entretanto, tinha desistido da advocacia para se tornar padre em Nápoles, foi mandado pelos médicos a descansar para esses lugares altos e junto ao mar, de maneira a recuperar energias. Mas o descanso durou pouco, porque no contacto com as gentes do lugar, Afonso de Ligório deu-se conta do abandono espiritual em que os tinham deixado. Toda a vida da Igreja se concentrava inutilmente nas cidades principais, e não havia quem transmitisse a Fé nos arredores do Reino.

 

Esse foi o aguilhão na carne de Afonso, que não mais o deixou sossegar: foi em 1730 esta primeira ida a Scala, por motivos terapêuticos, e a Congregação foi fundada no dia 9 de Novembro de 1732, depois de Afonso se ter despedido de vez da cidade de Nápoles.

Ele que sonhava - e tanto tinha já pedido! - ir como missionário para a China, essa terra de pagãos, fez uma descoberta muito forte, e que fica mais bonita dita em italiano mesmo: “La Cina è vicina!” Afinal, a “china” aqui tão perto…

Começaram a Congregação, lá nas montanhas de Scala, cinco companheiros, celebrando Eucaristia. Entretanto, uns desistiram, outros apareceram, e o corpo missionário foi crescendo. Corriam aquelas terras todas em redor fazendo missões, tornaram-se conhecidos pela sua excelente preparação teológica à qual conseguiam aliar um estilo simples, de linguagem e de postura. Esse é, desde as origens, um dos traços carismáticos dos Redentoristas: a simplicidade de vida e de linguagem, para transmitir com humildade e eficácia uma sólida e actualizada formação teológica.

 

Grandes companheiros teve Sto. Afonso ao seu lado, e alguns até foram sendo colocados pela Igreja na galeria dos modelos de santidade: São Gerardo Majella, Beato Januário Sarnelli, São Clemente Maria Hoffbauer, por exemplo.

São Gerardo foi um jovem que entrou nas origens da Congregação, apesar de não se lhe reconhecer na altura saúde para aguentar uma vida de dedicação missionária. Com efeito, morreu muitíssimo jovem, mas foi um irmão redentorista que deixou marcas profundas no seu tempo, por causa da generosidade com que tratava todas as pessoas e a sabedoria com que escutava e acompanhava em direcção espiritual tanta gente, apesar de não ter tido sequer oportunidade para fazer os estudos teológicos.

O Beato Januário Sarnelli foi um dos melhores amigos de Santo Afonso, a vida toda. Morreu muito novo, com 42 anos apenas. Afonso viveu ainda até aos 90, mas nunca esqueceu o amigo, e foi ele mesmo quem escreveu a primeira biografia de Januário Sarnelli, para o apresentar como modelo aos confrades. Sarnelli dedicou muito do seu zelo apostólico às mulheres que se prostituíam em Nápoles. Entre a intervenção social para a mudança de mentalidades e a dedicação concreta a essas mulheres, entre o enfrentamento dos que exploravam esse negócio e a atenção dada às tantas crianças que nasciam naquele contexto, o beato Sarnelli tornou-se o grande apóstolo das vítimas e dos últimos.

São Clemente Hoffbauer é outro dos nomes grandes das nossas origens, um Redentorista que inspira todas as gerações de missionários na nossa Congregação. Foi o primeiro Redentorista não italiano, ainda em vida de Santo Afonso. Foi em Itália que conheceu a Congregação e se juntou a ela, mas foi logo enviado pelo Fundador com a missão de fazer missões e criar comunidades redentoristas para lá dos Alpes. E assim começámos na Áustria, na Polónia, na Suíça, até chegarmos a Portugal…

 

Começámos, como todas as aventuras missionárias na história da Igreja, como um capricho do Espírito de Deus, um ímpeto da Sua Palavra. Porque havia gente a quem o Evangelho não era anunciado, mas o Senhor ReSuscitado não dá tréguas ao mundo enquanto a Abundância da Redenção não for uma Boa Notícia para todos.