O ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está desde sempre associado aos Redentoristas. Foi entregue à Congregação pelo Papa Pio IX em 1865, juntamente com este pedido: “Fazei-a conhecida em todo o mundo”. 

 

De facto, nestes 150 anos - celebramos em 2015 o jubileu desta tarefa missionária confiada à Congregação - a imagem deste ícone tem-nos acompanhado por todos os lugares. É um ícone cujas origens se perdem no tempo. Não podemos saber, com certeza, qual a sua história até pouco antes de chegar às nossas mãos. Mas sabemos, isso sim, que é uma representação iconográfica da Mãe de Jesus que pertence à escola oriental e se configura num estilo de representação mariana misto entre dois estilos bizantinos clássicos:

- estilo “Odighitria” que, em português, significa “Aquela que aponta o Caminho

- estilo “Eleousa”, conhecido também como “Virgem da Ternura”.

 

No primeiro estilo iconográfico, a Mãe aponta com a mão direita o seu filho Jesus. E o menino, por sua vez, está sentado na mão esquerda da mãe enquanto levanta a mão direita em posição de bênção e segura um rolo na mão esquerda. Já no estilo iconográfico das “Virgens da Ternura”, o que é notório é a proximidade entre Mãe e Filho, sempre tocando-se, pele com pele. Normalmente, são representados com os rostos encostados. Mais do que o afecto materno-filial, este tipo de representação quer anunciar a Incarnação, a união radical entre Divindade e Humanidade que se estabelece na vida de Jesus Cristo.

 

No ícone da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, nós temos os sinais “daquela que aponta o Caminho”, bem como a união, mão-na-mão, entre Mãe e Filho. Com efeito, essas mãos unidas são o centro geométrico do ícone, para onde o nosso olhar é atraído, porque é de Aliança que nos quer falar.

Os olhos da Senhora estão voltados para nós, fixos e ternos, como se ela estivesse a comunicar connosco, apontando-nos Jesus com a sua mão e segredando-nos o Evangelho de sempre: “Fazei tudo o que ele vos disser…” (Jo 2, 5)

Jesus volta-se para quem surge dos cantos do ícone: dois mensageiros, Miguel e Gabriel, trazem consigo as ferramentas da paixão, numa premonição dolorosa da rejeição à sua missão. Reconhecemos no menino quase um impulso de protecção, agarrando-se à mão da Mãe e mexendo um pé de tal forma contra o outro que até desapertou a sandália.

Mas, mais do que isso, aquela sandália a soltar-se é um convite para nós, neste tipo de iconografia que tanto gosta de símbolos e subtilezas: é convite a entrar na cena e, para isso, é necessário descalçarmos as sandálias, porque nos abeiramos de lugar sagrado, como Moisés junto da sarça ardente.

Um amor que não se apaga, uma fidelidade que não se extingue. Chamar-lhe Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é reconhecer que aquela Santa Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus, foi para ele e é para nós, um ícone vivo do amor e da consolação de Deus.

 

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